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Avaliação Metabólica — Nefrolitíase de Repetição Indicações · Propedêutica · Interpretação · Tratamento

Início
1Indicações
2Propedêutica
3Interpretação
4Tratamento
5Seguimento
Etapa 1

Indicações para Avaliação Metabólica

Identificar quais pacientes se beneficiam da investigação metabólica completa.

Indicação Absoluta (Alto Risco)
Metabolicamente ativo: HF positiva, >1 cálculo ao diagnóstico ou 2º cálculo em <1 ano
ITU de repetição associada a cálculos
Alteração intestinal disabsortiva (DII, ressecção, bariátrica)
Condição médica predisponente: ATR, hiperparatireoidismo, gota, DM2, sarcoidose
Rim único, cálculos múltiplos ou de grande porte
Criança com cálculo renal (sempre investigar erros inatos)
Indicação Relativa / Situações Especiais
Primeiro episódio com desejo do paciente de investigar
Necessidade de suplementação de cálcio ou proteína (atletas)
Uso de topiramato ou acetazolamida (inibidores de anidrase carbônica)
Programação de cirurgia bariátrica
Complexidade social ou profissional (pilotos, regiões remotas)
Pré-operatório de cirurgia complexa para cálculo
Risco de recorrência após 1º episódio sintomático: 14% em 1 ano · 35% em 5 anos · 52% em 10 anos. Homens têm maior taxa de recorrência. O nomograma de ROKS pode ser utilizado para cálculo individualizado do risco.
Etapa 2

Composição da Avaliação Metabólica

Exames mínimos e completos para investigar nefrolitíase de repetição.

Exames Séricos
Rotina
Na⁺ 135–145 mEq/L
K⁺ 3,5–5,0 mEq/L Hipocalemia → suspeitar ATR
Cálcio total 8,6–10,2 mg/dL
Fósforo 2,5–4,5 mg/dL ↓ em hiperparatireoidismo primário
Mg²⁺ 1,7–2,2 mg/dL
Creatinina 0,5–0,9 mg/dL
Ureia 10–50 mg/dL
Ácido úrico 3,4–7,0 mg/dL
Fosfatase alcalina 38–126 U/L ↑ em malignidade / reabsorção óssea
Condicionados (se indicado)
PTH intacto 4–58 pg/mL Solicitar se hipercalcemia
Gasometria venosa Se suspeita ATR (hipocalemia)
Cistina quantitativa Apenas se qualitativo ⊕
Urina de 24 horas
Volume urinário > 2.000 mL/dia Alteração mais frequente
Cálcio ≤ 240 mg/dia Ou ≤ 4 mg/kg/dia
Oxalato ≤ 45 mg/dia
Ácido úrico ≤ 750 mg/dia
Citrato > 320 mg/dia Inibidor endógeno central
Sódio 40–220 mmol/dia
Magnésio 73–122 mg/dia
Fósforo 0,4–1,3 g/dia
Creatinina 20–25 mg/kg/dia Valida coleta: ~1 mg/kg/h
Potássio 25–125 mmol/dia
Sulfato Marcador de proteína animal
Proteinúria
Urina Amostra Única + Análise do Cálculo
Urina Amostra Única
EAS completo
Relação Ca/Creatinina H: 12–244 mg/g · M: 09–328 mg/g
Urocultura
pH urinário (pHmetria) 6,2–6,8 pH <5,5 → ác. úrico · pH >7,0 → estruvita / fosfato Ca
Cistina qualitativa Negativo Se ⊕ solicitar quantitativo
Análise Cristalográfica do Cálculo (quando disponível)
Análise visual + cristalográfica Diagnóstica: cistina, ATR, estruvita, ác. úrico
Aspecto visual do cálculo: Escuro e compacto → oxalato de cálcio mono-hidratado (vevelita) — baixo volume + excesso oxalato. Amarelo-ouro, cristais grandes → vedelita — hipercalciúria. Amarelo-escuro, mole → ácido úrico. Amarelo, cristais agrupados → cistina.
Etapa 3

Interpretação das Alterações Metabólicas

Principais distúrbios em ordem de frequência. Toque para expandir causas e padrões laboratoriais.

Alterações em Ordem de Frequência
1ª mais comum Hipercalciúria Ca⁺⁺ urin. > 240 mg/dia
Absortiva — Tipo I Mais grave

Hiperabsorção intestinal de Ca por ↑ Vit D / sensibilidade aumentada. Persiste mesmo com dieta hipocalcêmica (diferença do tipo II).

Ca urinário
Ca sérico N (transitório ↑ → normaliza)
PTH suprimido
Fósforo N
Absortiva — Tipo II

Semelhante ao tipo I, porém hipercalciúria normaliza com restrição dietética de cálcio.

Ca urinário ↓ com dieta
Ca sérico N
PTH suprimido
Fósforo N
Renal (tubular leak)

↓ Reabsorção tubular de Ca → ↓ calcemia → hiperparatireoidismo secundário. Ca urinário em jejum >11 mg/dL com Ca sérico normal é característico.

Ca urinário >11 mg/dL jejum
Ca sérico N compensado
PTH 2º hiperPTH
Fósforo N
Reabsortiva HiperPTH 1º

Adenoma de paratireoide ou produção de PTH-like por tumor. Reabsorção óssea → hipercalcemia + hipercalciúria. Cálculos de fosfato de cálcio frequentes.

Ca urinário
Ca sérico hipercalcemia
PTH 1º hiperPTH
Fósforo ↑ excreção renal
Tiazídicos podem desmascarar hiperparatireoidismo primário com elevação importante do Ca sérico. Monitorar após início.
2ª mais comum Hipocitratúria Citrato urin. < 320 mg/dia
Acidose metabólica (ATR distal, diarreia crônica, DII, ingestão excessiva de proteína animal)
Hipocalemia: Causa acidose intracelular → ↑ reabsorção tubular de citrato → hipocitratúria
Uso de tiazídico: Hipocalemia induzida pelo tiazídico causa hipocitratúria secundária
Idiopática: Isolada em ~10% dos formadores de cálculos

O citrato complexa cálcio iônico, previne nucleação do oxalato de cálcio, inibe aglomeração e crescimento cristalino e potencializa ação da proteína de Tamm-Horsfall. O estado ácido-básico é o principal determinante da excreção de citrato.

3ª mais comum Hiperoxalúria Oxalato urin. > 45 mg/dia
Primária (genética): Defeito autossômico recessivo na conversão de glioxalato → glicina. Oxalato >100 mg/dia. Pode causar nefrocalcinose e IRT. Tipo 1 mais grave.
Entérica (mais comum): Diarreia crônica / DII / cirurgia bariátrica → má absorção de gorduras → saponificação de Ca²⁺ e Mg²⁺ com ácidos graxos → ↑ oxalato livre para absorção colônica. Bypass gástrico em Y de Roux é o mais associado.
Dietética: Excesso de espinafre, castanhas, chocolate, chá, batata, brócolis, beterraba. Restrição excessiva de cálcio também aumenta absorção intestinal de oxalato.
Idiopática: Placas de Randall como sítio de nucleação do oxalato de cálcio na membrana basal das alças de Henle.
A bactéria Oxalobacter formigenes degrada oxalato no intestino. Ausência (antibioticoterapia prolongada, fibrose cística) predispõe a hiperoxalúria.
4ª mais comum Hiperuricosúria Ácido úrico urin. > 750 mg/dia
Dieta rica em purinas: carnes, sardinha, anchovas, arenque, ervilha, feijão, lentilha — causa mais comum
Gota: hiperuricosúria + pH urinário baixo
Doenças hematológicas / mieloproliferativas: superprodução de purinas
Drogas uricosúricas (probenecida, losartan em doses altas)
Hiperuricosúria favorece nucleação heterogênea e crescimento epitaxial de oxalato de cálcio em torno de cristais de urato de sódio — relevante mesmo em formadores de cálculos cálcicos.
Mais frequente Baixo Volume Urinário Volume < 2.000 mL/dia

A alteração isolada mais comum na avaliação metabólica. Aumenta a concentração de todos os formadores de cálculo e reduz a ação de inibidores. A meta é diurese > 2.500 mL/dia para prevenção.

Baixa ingesta hídrica (causa mais comum)
Diarreia crônica com perda de fluidos
Exercício físico intenso sem reposição adequada
Clima quente / trabalho físico externo
Menos frequente Acidose Tubular Renal Distal (tipo I) pH urin. > 6,0 persistente + acidose metabólica
Hereditária: Autossômica dominante ou recessiva; múltiplos parentes com nefrolitíase
Adquirida: Síndrome de Sjögren, LES — suspeitar em mulheres jovens
Medicamentos: Anfotericina B, lítio, tolueno
Forma incompleta: Consegue manter pH normal-alto e hipocitratúria, mas sem acidemia franca. Confirmar com teste de sobrecarga de NH₄Cl.
K⁺ sérico
pH urinário
> 6,0
Ca urinário
Citrato urin.
Ânion gap
Normal
Tipo de cálculo
Fosfato Ca
Inibidores da anidrase carbônica (topiramato, acetazolamida) mimetizam a ATR distal: ↑ pH urinário + hipercalciúria + hipocitratúria → cálculos de fosfato de cálcio.
Raro Cistinúria Cistina urin. > 250 mg/dia (homozigoto)

Doença autossômica recessiva (COLA: cistina, ornitina, lisina, arginina). 1–2% de todos os cálculos urinários. Início na 1ª/2ª décadas. Única manifestação clínica do defeito. Cromossomos 2p16 e 19q13.

Homozigoto: excreta >250 mg/dia → supersaturação constante
Solubilidade da cistina reduz drasticamente abaixo de pH 7,0
Quando pulverizados com Laser, cálculos de cistina produzem odor característico de sulfeto.
Etapa 4

Tratamento por Tipo de Cálculo / Distúrbio

Selecione o tipo de cálculo ou distúrbio metabólico para ver as recomendações.

Medidas Comportamentais e Dietéticas (Base de Todo Tratamento)
💧Ingesta hídrica para diurese > 2,5 L/dia
🧂Sódio: < 5 g sal/dia (2 g Na/dia). Excesso de Na inibe reabsorção tubular de Ca.
🥩Proteína animal: 0,8–1 g/kg/dia. Reduz episódios de litíase cálcica em 50%.
🥛Cálcio dietético: 1.000–1.200 mg/dia. Restrição aumenta oxalato livre para absorção.
🍊Frutas cítricas e vegetais: aumentam citratúria naturalmente.
🚫Evitar excesso de vitamina C (precursor de oxalato) e alimentos ricos em oxalato.
🏃Atividade física e perda de peso (síndrome metabólica → pH urinário baixo).
Cálculos cálcicos recorrentes sem alteração metabólica identificada: tratar empiricamente com tiazídico + citrato de potássio.
Tratamento da Hipercalciúria
Clortalidona 25–50 mg/dia (dose-alvo) NE B

Preferível à HCTZ pela meia-vida longa (administração única diária) e maior eficácia em estudos. Promove ↑ excreção de sódio e ↑ reabsorção tubular de cálcio. Melhora densidade mineral óssea.

Monitorar K⁺ em 1–2 semanas. Efeitos adversos: hipocalemia, hiperuricemia, hiperglicemia, hipomagnesiúria, hipocitratúria (causa acidose intracelular por hipocalemia), perda de libido/DE. Associar citrato de potássio se hipocalemia ou hipocitratúria. Restringir sódio — excesso bloqueia ação hipocalciúrica. Pode desmascarar hiperparatireoidismo primário.
HCTZ (alternativa) 25 mg 12/12h

Hidroclorotiazida — alternativa quando clortalidona não disponível.

Citrato de Potássio (associação) 10 mEq VO 12/12h

Associar ao tiazídico para repor K⁺ induzido pelo tiazídico e prevenir/tratar hipocitratúria. Potencializa efeito antilitiásico.

Resina de troca (fosfato/celulose)

Reservada para hipercalciúria absortiva tipo I refratária às demais medidas. Mal tolerada (diarreia frequente).

Citrato eleva pH urinário → risco de cálculos de fosfato de cálcio se hipercalciúria e baixo volume não forem corrigidos concomitantemente. Realizar urina 24h para avaliar resposta predominante.
Tratamento da Hipocitratúria
Citrato de Potássio 10–20 mEq VO 8/8h NE B

Comprimidos de 5 mEq (crianças) ou 10 mEq. Dose total: 10–80 mEq/dia. Parte do citrato é convertido em bicarbonato → alcalinização urinária. Tratamento de 1ª linha.

Contraindicado em insuficiência renal crônica (risco de hipercalemia). Pode causar sintomas GI. Monitorar K⁺.
Dieta rica em frutas cítricas

Laranja, limão, grapefruit — aumentam citratúria naturalmente. Medida complementar.

Corrigir a causa de base da acidose (proteína animal, diarreia crônica, ATR) é fundamental. O estado ácido-básico é o principal determinante da excreção urinária de citrato.
Tratamento da Hiperoxalúria
Medidas Gerais
Dieta rica em Ca e Mg + pobre em oxalato

Cálcio se liga ao oxalato no lúmen intestinal → reduz absorção. Evitar: espinafre, castanhas, chocolate, chá preto, batata, brócolis, beterraba.

Citrato de Potássio10–20 mEq VO 8/8h

Alcaliniza urina e inibe cristalização. Terapia fundamental nas formas entéricas e dietéticas.

Suplemento de Cálcio (citrato de cálcio)

Forma ideal para hiperoxalúria entérica: liga-se ao oxalato intestinal e também aumenta citratúria.

Formas Específicas
Piridoxina (Vitamina B6)5–20 mg/kg/dia

Indicada na hiperoxalúria primária genética (facilita conversão alternativa de glioxalato). Pode também ser usada em ortofosfato.

Hiperoxalúria Entérica: Hidratação + Citrato K + Ca

Objetivo: reidratar, reverter acidose metabólica, reduzir oxalato livre. Hidratação pode ser difícil se diarreia exacerba com excesso de líquidos.

Tiazídicos podem piorar acidose metabólica e hipocalemia nesses pacientes. Evitar. Ressecção colônica pode ser considerada em casos refratários (intestino grosso é sítio primário de absorção de oxalato).
Colestiramina

Utilizada em alguns casos de hiperoxalúria entérica por má absorção de gorduras.

Tratamento da Hiperuricosúria
Restrição de purinas na dieta

Primeira linha: reduzir carnes vermelhas, miúdos, frutos do mar (sardinha, anchovas, arenque), leguminosas em excesso.

Alopurinol 100–300 mg/dia NE B

Se restrição dietética insuficiente. Inibe xantina oxidase → ↓ produção de ácido úrico. Reduz recorrência de cálculos de oxalato de cálcio em pacientes com hiperuricosúria e normocalciúria.

Em Lesch-Nyhan: altas doses de alopurinol levam ao acúmulo de xantina, que é menos solúvel → cálculos de xantina.
Tratamento dos Cálculos de Ácido Úrico
3 determinantes: pH urinário baixo · baixo volume urinário · hiperuricosúria. Alcalinização urinária é a intervenção-chave. Cálculos são radiotransparentes e de baixa densidade em UH. Possibilidade de quimiólise clínica.
Citrato de Potássio10–20 mEq VO 8/8h

Tratamento principal. pH alvo: 6,2–6,8 para prevenção de recorrência. pH 7,0–7,2 para dissolução de cálculos existentes.

Alcalinização excessiva com pH >7,0 pode induzir cálculos de fosfato de cálcio. Nos primeiros meses de tratamento, a uricosúria na U24h pode parecer aumentada porque o ácido úrico, que antes precipitava em urina ácida, agora permanece em solução — resultado esperado e favorável do tratamento.
Alopurinol100–300 mg/dia

Maior eficácia quando ácido úrico urinário >1.500 mg/dia. Indicar independentemente de hiperuricemia sérica. Tratar mesmo pacientes obesos com pH baixo típico (síndrome metabólica, DM2).

HidrataçãoDiurese > 2,5 L/dia

Dilui concentração urinária de ácido úrico. Medida fundamental isolada ou combinada.

Controle da resistência insulínica

Obesidade / DM2 → ↓ amoniogênese renal → pH urinário baixo. Perda de peso e controle glicêmico elevam pH e reduzem formação de cálculos de ácido úrico.

Seguimento da quimiólise: Repetir pHmetria e imagem em 4 meses para avaliar dissolução do cálculo.
Tratamento da ATR Distal (Tipo I)
Citrato de Potássio (Urocit-K) 10–20 mEq VO 8/8h

Tratamento de 1ª linha. Corrige acidose, reduz hipercalciúria, aumenta citratúria. Potassium alkali demonstrou ↓ excreção urinária de cálcio — superior ao sódio alkali.

Evitar bicarbonato/citrato de sódio: embora corrija acidose, o excesso de sódio prejudica metabolismo do cálcio e aumenta risco de cálculos de fosfato e oxalato de cálcio.
Forma incompleta de ATR: pH urinário pode ser aparentemente normal em repouso. Confirmar com teste de sobrecarga com NH₄Cl. Nefrocalcinose pode ser identificada em radiografia abdominal de rotina.
Tratamento dos Cálculos de Cistina
Objetivo: manter cistinúria < 200–250 mg/L de urina. Converter cistina em cisteína (200x mais solúvel). Monitorar com dosagem quantitativa de cistina em U24h.
Medidas Base
↑ Ingesta hídrica + Citrato de Potássio

Alcalinizar urina para pH >7,5 aumenta solubilidade da cistina dramaticamente. Hidratação é essencial e indispensável mesmo em uso de medicação específica.

Restrição de sódio e proteína animal

Sódio ↑ excreção de cistina; proteína animal fornece precursores de cisteína/cistina.

Terapia Medicamentosa Específica
Tiopronina (alfa-MPG) 250–2.000 mg/dia

Alfa-mercaptopropionil glicina. 1ª escolha por eficácia similar à D-penicilamina com menor toxicidade. Converte cistina em cisteína-tiopronina dissulfeto (solúvel).

Captopril 75–150 mg/dia

Alternativa quando tiopronina não disponível ou não tolerada. Também converte cistina em forma mais solúvel via ligação dissulfeto.

D-penicilamina

Eficácia similar à tiopronina, porém maior toxicidade. Manter apenas se paciente já adaptado e sem complicações — não há necessidade de troca.

Lembrar: pacientes geralmente jovens com dificuldade de adesão a longo prazo. Combinação de medicação + hidratação é essencial — medicação isolada sem hidratação frequentemente falha.
Tratamento dos Cálculos de Estruvita (Infecção)
Bactérias produtoras de urease: Proteus (mais comum), Klebsiella, Pseudomonas, Staphylococcus aureus. Urease converte ureia em amônia → pH urinário alcalino → formação rápida de fosfato amoníaco magnesiano. Podem conter grandes quantidades de endotoxina.
Eliminação cirúrgica COMPLETA do cálculo

Fundamental e prioritária. Bactérias aprisionadas no cálculo perpetuam infecções recorrentes e formação de novos cálculos. NLPC geralmente necessária para cálculos coraliformes.

Antibioticoprofilaxia

Cefalexina ou nitrofurantoína para profilaxia prolongada pós-cirúrgica.

Ácido Acetohidroxâmico (AHA) 250 mg VO 3x/dia

Inibe irreversivelmente a urease. Pode prevenir formação de novos cálculos, inibir crescimento dos atuais e até dissolver cálculos pequenos em infecções crônicas por bactérias produtoras de urease.

Até 30% de efeitos adversos: cefaleia, náusea, vômitos, anemia, rash, alopécia. 15% desenvolvem TVP em uso prolongado. Monitorização cuidadosa obrigatória.
Citrato de potássio

Embora alcalinize a urina, pode ser utilizado em estruvita. Acidificação urinária com medicamentos não demonstrou eficácia contra o poder da urease.

Cálculo de estruvita pode ser misto. Avaliar coexistência de alterações metabólicas (hipercalciúria, etc.) que devem ser tratadas concomitantemente.
Etapa 5

Seguimento e Monitorização do Tratamento

Cronograma de avaliação após início do tratamento metabólico.

Protocolo de Seguimento
Momento Avaliação Objetivo
1–2 sem K⁺ sérico Se em uso de tiazídico — detectar hipocalemia precoce
1–3 meses Avaliação clínica + ajuste de doses Tolerabilidade, adesão, sintomas adversos
≤ 6 meses Urina 24h completa Avaliar resposta ao tratamento clínico (meta: normalização dos distúrbios)
4 meses* pHmetria + Imagem (TC ou USG) *Específico para cálculos de ácido úrico em quimiólise — avaliar dissolução
Anual Urina 24h + Exames séricos + Imagem Monitoramento contínuo: recorrência, novos cálculos, efeitos adversos
Periódico Reanálise cristalográfica do cálculo Composição pode variar ao longo do tratamento — guiar ajustes terapêuticos
Metas Terapêuticas na Urina de 24h
Volume urinário > 2.500 mL/dia Meta preventiva (vs 2.000 diagnóstico)
Cálcio urinário ≤ 200 mg/dia Com tiazídico
Citrato urinário > 320 mg/dia Normalizar hipocitratúria
Oxalato urinário ≤ 40 mg/dia Com dieta e suplementação
pH urinário 6,2–6,8 Ácido úrico: 7,0–7,2 para dissolução
Cistina urinária < 250 mg/L Abaixo do ponto de saturação
Monitorização de Efeitos Adversos
Tiazídico
Hipocalemia — dosar K⁺ em 1–2 semanas. Repor com citrato de potássio 10 mEq VO 12/12h
Hipocitratúria secundária à acidose intracelular por hipocalemia — tratar com citrato K
Hiperuricemia, hiperglicemia, hipomagnesiúria
Perda de libido / disfunção erétil — em pequena porcentagem
Desmascaramento de hiperparatireoidismo primário — elevação importante do Ca sérico
Citrato de Potássio
Sintomas gastrointestinais — náusea, desconforto abdominal
Hipercalemia — risco em insuficiência renal crônica (contraindicado)
Risco de cálculos de fosfato de cálcio se hipercalciúria e baixo volume não corrigidos
Alopurinol
Rash cutâneo, síndrome de Stevens-Johnson (raro)
Elevar uricosúria pode aumentar concentração urinária de xantina — cálculos de xantina em Lesch-Nyhan