Os critérios abaixo definem quando considerar radioterapia adjuvante (aRT) + ADT após prostatectomia radical com PSA indetectável pós-operatório. São critérios independentes — um único critério já justifica a discussão em tumor board. A decisão final deve sempre ser individualizada.
1
pT3b-4, ISUP 5 ou mais de 3 linfonodos positivos
refs. 13,14

O critério mais direto e de maior consenso. A presença de qualquer um dos três achados anatomopatológicos abaixo já é indicação para considerar aRT + ADT:

pT3b ou pT4: extensão tumoral com invasão de vesículas seminais (pT3b) ou estruturas adjacentes (pT4), indicando doença localmente avançada com risco elevado de recidiva local.

ISUP grau 5 (Gleason 9–10): agressividade biológica máxima na escala de graduação histológica atual.

Mais de 3 linfonodos positivos: volume de comprometimento linfonodal associado a altíssimo risco de recidiva sistêmica.

2
1–2 LNs+ com ISUP 3–5 e pT3b-4 ou SM+
ref. 15

Quando há 1 ou 2 linfonodos positivos, o risco não é determinado apenas pelo número de LNs — a combinação com outros fatores define a indicação:

• ISUP grau 3, 4 ou 5 e pelo menos um de: extensão extraprostática avançada (pT3b-4) ou margens cirúrgicas positivas (SM+).

A coexistência desses fatores eleva substancialmente o risco de recidiva bioquímica precoce, justificando o escalonamento terapêutico.

3
3–4 linfonodos positivos
ref. 15

A presença de 3 ou 4 linfonodos positivos é critério independente para considerar aRT + ADT, independentemente do ISUP, estadiamento pT ou margens cirúrgicas.

O volume linfonodal moderado (3–4 LNs) se distingue do critério anterior (>3 LNs do critério 1) por ser endereçado especificamente nesta referência com foco na faixa intermediária de comprometimento ganglionar.

4
Score de Mazzone A — alto risco (>4 pontos)
ref. 16

Sistema de pontuação que quantifica o risco com base em quatro variáveis anatomopatológicas. A pontuação maior que 4 define alto risco:

Achado patológicoPontos
pT3b (invasão de vesícula seminal)1 pt
ISUP grau 5 (Gleason 9–10)2 pts
1–2 linfonodos positivos2 pts
Mais de 3 linfonodos positivos3 pts
⚠ Pontuação >4: alto risco — considerar aRT + ADT
5–6
Risco intermediário e alto por combinação LN + outros fatores
ref. 17

Esta referência estratifica dois subgrupos com base na combinação de acometimento linfonodal com outros fatores de risco:

Risco intermediário: 1–2 LNs positivos associados a pelo menos um de: ISUP 4–5, pT3b-4 ou SM+ extensas. Pacientes neste grupo podem se beneficiar de aRT + ADT, mas a decisão deve ser individualizada.

Alto risco: 3–4 LNs positivos associados a pelo menos um de: ISUP 4–5, pT3b-4 ou PSA persistente (PSA >0.1 nas coletas de 4–8 semanas pós-operatórias). Este grupo tem indicação mais clara de aRT + ADT.

7
Score de Mazzone B — alto risco (>3 pontos)
ref. 18

Segunda versão do score de Mazzone, com ponderação diferente — captura melhor o risco em graus ISUP intermediários. Pontuação maior que 3 define alto risco:

Achado patológicoPontos
pT3b-41 pt
ISUP grau 41 pt
ISUP grau 52 pts
Mais de 2 linfonodos positivos2 pts
⚠ Pontuação >3: alto risco — considerar aRT + ADT
8
Mais de 3 fatores de risco simultâneos
ref. 19

Quando quatro fatores de risco coexistem na mesma peça cirúrgica, o risco cumulativo justifica aRT + ADT independentemente dos demais critérios:

Os quatro fatores considerados são: pT3–4 (extensão extraprostática), ISUP 4–5 (grau alto), SM+ extensas (margens positivas multifocais ou extensas) e qualquer LN positivo.

A coexistência de todos eles representa o perfil anatomopatológico de maior risco de recidiva, com evidência de benefício robusto da terapia adjuvante combinada.

9
pN1 com mais de 4 linfonodos positivos
ref. 20

Acometimento linfonodal extenso com mais de 4 LNs positivos (alto volume ganglionar) é critério independente para aRT + ADT, com risco de recidiva sistêmica precoce muito elevado. Neste cenário, a discussão de ADT prolongado também é pertinente.

10
pN1 — qualquer linfonodo positivo
ref. 21

Por esta referência, a simples presença de qualquer linfonodo positivo (pN1) — independentemente do número, ISUP ou margens — já é critério para considerar aRT + ADT. Embora seja o critério de menor especificidade (pode incluir pacientes de risco intermediário), reflete a visão de que o comprometimento ganglionar confirmado representa doença com potencial micrometastático.

11
pN0 com ISUP 4–5 e pT3–4
ref. 22

Importante critério que se aplica aos pacientes sem comprometimento linfonodal (pN0): mesmo sem LNs positivos, a combinação de grau histológico alto (ISUP 4 ou 5) com extensão extraprostática (pT3 ou pT4) gera risco suficiente para indicar aRT + ADT.

Este critério evita que pacientes com ePLND limitado ou negativo deixem de receber tratamento adjuvante por ausência formal de pN1.

12
Densidade linfonodal (LNR) >7% com 1–3 LNs+, ou >4 LNs+
ref. 23

A razão linfonodal (LNR) — proporção entre linfonodos positivos e total de linfonodos removidos — é um preditor prognóstico independente que corrige a influência da extensão da linfadenectomia:

LNR = nº de LNs positivos ÷ total de LNs removidos × 100%

1–3 LNs+ com LNR >7%: mesmo com poucos LNs positivos, uma densidade alta indica subrepresentação da carga real de doença. Exemplo: 2 LNs positivos em 10 removidos = LNR 20%.

Mais de 4 LNs+: critério independente pelo volume absoluto, sem considerar a LNR.

Este parâmetro é especialmente relevante quando a linfadenectomia foi extensa (ePLND), permitindo comparações mais justas entre diferentes centros cirúrgicos.

13–14
pT3-4 + R1 + ISUP 4-5, ou pT2 + R1 multifocal + ISUP 4-5
ref. 24

Dois cenários baseados na combinação de margens comprometidas com grau histológico alto:

pT3–4 + R1 + ISUP 4–5: extensão extraprostática com margens positivas (qualquer configuração — focal ou extensa) e grau alto. A tríade representa o perfil de maior risco de recidiva local e sistêmica neste grupo.

pT2 + R1 multifocal/extenso + ISUP 4–5: mesmo quando o tumor está confinado à próstata (pT2), a presença de margens positivas multifocais ou extensas associadas ao grau alto inverte o prognóstico favorável esperado para pT2, justificando tratamento adjuvante.

15
pN1 com ISUP 4–5 e ≥2 LNs+ ou SM–
ref. 25

Combinação específica de comprometimento linfonodal com perfil de alto risco histológico. A indicação é considerada quando há pN1 com ISUP 4 ou 5 associado a pelo menos um de:

≥2 linfonodos positivos: volume linfonodal mínimo que, combinado ao grau alto, estabelece risco substancial.

SM– (margens negativas): aparentemente paradoxal, mas a ausência de margens positivas com pN1 e ISUP alto pode indicar doença com maior extensão linfonodal que local — reforçando a necessidade de aRT para controle regional.

Nota clínica importante Todos os critérios acima são indicações para considerar aRT + ADT — não são mandatórios em todos os casos. A decisão final deve ser tomada em Tumor Board Multidisciplinar, integrando os achados anatomopatológicos, o perfil clínico do paciente, comorbidades, expectativa de vida e preferências individuais. Testes moleculares (germline e somático) são recomendados nos perfis de maior risco.
Resumo das condutas terapêuticas presentes no fluxograma, com definições, indicações e referências. A intensidade do tratamento é determinada pelo PSA, margens cirúrgicas, ISUP, PSAdt e resultado do PET-PSMA.
Observação ativa
refs. 3,39,52

Reservada ao subgrupo de mínimo risco: PSA <0.5 ng/mL + SM– + ISUP 1 + PSAdt >12 meses + Decipher confirmado <0.6 + MMAI confirmado low/–. A dupla validação molecular é obrigatória — na ausência de qualquer um dos testes, a conduta mínima é eSRT.

Monitoramento: PSA seriado semestral. Reavaliar se PSAdt encurtar ou PSA atingir ≥0.5 ng/mL.

eSRT — Radioterapia de Salvamento Precoce
refs. 37,38,42,43

Radioterapia de salvamento sem ADT, indicada nos perfis de risco mais favoráveis com PSA <0.5 ng/mL: SM– ISUP 2–3 com EAU baixo risco, ou SM– ISUP 1 com Decipher/MMAI não concluindo por escalonamento.

Timing ideal: iniciar preferencialmente quando PSA <0.25 ng/mL para maximizar o controle bioquímico (ref. 43). Quanto menor o PSA no início da RT, maior a taxa de remissão.

Na faixa PSA 0.5–1.0 ng/mL, eSRT é reservada ao subgrupo SM– ISUP 1 (de-escalonamento).

SRT + STADT — Radioterapia + ADT de Curta Duração
refs. 42,44,45

Combinação de radioterapia de salvamento com terapia de privação androgênica de 4–6 meses. Indicada em perfis de risco intermediário-alto.

Critérios de indicação mais comuns: PSA 0.5–1.0 ng/mL com SM– ISUP ≥2, ou SM+ qualquer ISUP 1–3, ou SM– com EAU alto risco (ISUP ≥4 ou PSAdt ≤12m), ou Decipher alto, ou MMAI high/+.

Inclusão de PLN: quando PSA >0.35 ng/mL, incluir linfonodos pélvicos (PLN) no campo de radioterapia (refs. 45,48).

ARPi: a adição de inibidor do receptor androgênico pode ser considerada conforme perfil de risco e discussão em tumor board.

SRT + LTADT — Radioterapia + ADT de Longa Duração
refs. 42,44,46,47

Combinação de radioterapia com terapia androgênica de mais de 24 meses. Indicada nos perfis de maior risco: PSA >1.0 ng/mL (qualquer subgrupo exceto SM– ISUP 1), SM+ ISUP ≥4 com PSAdt <6m, ou perfil EAU alto risco com PSA elevado.

Prevenção sistêmica é mandatória: monitoramento cardiovascular, metabólico e de densidade óssea durante todo o período de ADT prolongado.

ARPi: a adição de inibidor do receptor androgênico (enzalutamida, apalutamida ou darolutamida) deve ser discutida em tumor board, especialmente nos perfis de maior risco.

Condutas no PET-PSMA positivo
refs. 5,9,49,50,51

Doença loco-regional: eSRT + ADT com cobertura da loja prostática (PB) e linfonodos pélvicos (PLN). Intenção curativa.

miN+ (oligometastático linfonodal): ADT + terapia dirigida à metástase (MDT). Linfadenectomia pélvica de salvamento (SPLND) pode ser considerada em centros de alto volume com experiência nesta técnica.

M+ (metástases a distância): ADT + ARPi ± quimioterapia. Em omHSPC (oligometastático hormônio-sensível), MDT associada pode trazer benefício adicional. Germline e somatic testing obrigatórios — avaliar especialmente BRCA1/2 e genes HRR para elegibilidade a olaparibe.

aRT + ADT — Radioterapia e ADT Adjuvantes
refs. 13–25

Indicada na via do PSA indetectável (<0.1 ng/mL) quando preenchido ao menos um dos 15 critérios anatomopatológicos descritos na aba "Critérios adjuvantes".

A lógica é tratar profilaticamente o leito prostático e potenciais micrometástases antes da manifestação clínica da recidiva, aproveitando o estado de PSA indetectável como janela terapêutica ideal.

Quando nenhum critério é preenchido, a conduta é observação com monitoramento seriado do PSA.

Glossário completo das abreviaturas utilizadas no fluxograma e neste guia de referência.
ADT
Terapia de privação androgênica (Androgen Deprivation Therapy)
ARPi
Inibidor da via do receptor androgênico (Androgen Receptor Pathway Inhibitor)
aRT
Radioterapia adjuvante (Adjuvant Radiation Therapy)
BCR
Recidiva bioquímica: duas ou mais elevações consecutivas de PSA previamente indetectável
CHT
Quimioterapia (Chemotherapy)
eBCR
Recidiva bioquímica precoce (<12 meses após RP)
ECE
Extensão extracapsular (Extracapsular Extension)
ePLND
Linfadenectomia pélvica estendida (extended Pelvic Lymph Node Dissection)
eSRT
Radioterapia de salvamento precoce (early Salvage Radiation Therapy)
GC
Classificador genômico (Genomic Classifier) — referência ao teste Decipher
ISUP
Grau histológico segundo International Society of Urological Pathology (equivale ao grupo de Gleason)
LBCR
Recidiva bioquímica tardia (Late BCR, >12–24 meses após RP)
LN
Linfonodo (Lymph Node)
LNR
Razão linfonodal / Densidade linfonodal (Lymph Node Ratio = LNs+ ÷ total de LNs removidos)
LTADT
ADT de longa duração — mais de 24 meses (Long-Term ADT)
MDT
Terapia dirigida à metástase (Metastasis-Directed Therapy)
miN+
Micrometástases linfonodais — doença oligometastática linfonodal
MMAI
Inteligência artificial multimodal (Multi-Modal Artificial Intelligence) — ferramenta de estratificação de risco pós-RP
omHSPC
Câncer de próstata oligometastático hormônio-sensível
PB
Leito prostático / Fossa prostática (Prostatic Bed)
PLN
Linfonodos pélvicos (Pelvic Lymph Nodes)
PSAdt
Tempo de duplicação do PSA (PSA Doubling Time)
R0
Margens cirúrgicas negativas (ausência de tumor na margem de ressecção)
R1
Margens cirúrgicas positivas (tumor presente na margem de ressecção)
RP
Prostatectomia radical (Radical Prostatectomy)
SM
Margens cirúrgicas (Surgical Margins)
SPLND
Linfadenectomia pélvica de salvamento (Salvage Pelvic Lymph Node Dissection)
SRT
Radioterapia de salvamento (Salvage Radiation Therapy)
STADT
ADT de curta duração — 4–6 meses (Short-Term ADT)
SVI
Invasão de vesícula seminal (Seminal Vesicle Invasion)
Referências bibliográficas do fluxograma original. Numeração conforme o documento fonte (Luis Felipe Piovesan, MD, PhD).
1
NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Prostate Cancer. Version 4.2026. Plymouth Meeting, PA: National Comprehensive Cancer Network, 2026.
2
Salvage therapy for prostate cancer: AUA/ASTRO/SUO guideline, 2024.
3
EAU–EANM–ESTRO–ESUR–ISUP–SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology, 2025.
5
Falkenbach F et al. Curr Opin Urol. 35(5):522-526, 2025.
6
Shimabukuro T et al. Adv Urol. 28:2025:2961319, 2025.
7
Sood A et al. Eur Urol Oncol. v.7, p.27–43, 2024.
8
Mazzone E et al. Eur Urol. 88(2):129-141, 2025.
9
Karpinski MJ et al. Curr Opin Urol. v.35, n.1, p.1-4, 2025.
13
Bravi CA et al. Urol Oncol. v.37, n.1, p.1–6, 2019.
14
Barlega F et al. J Surg Oncol. 129(7):1305-1310, 2024.
15
Abdollah F et al. Eur Urol. 74(3):253-256, 2018.
16
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17
Marra G et al. Eur Urol Oncol. v.3, n.5, p.565–579, 2020.
18
Marra G et al. J Urol. v.213, n.6, p.702–712, 2025.
19
Renzulli II JF et al. Prostate Int. 10(2):80-84, 2022.
20
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21
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22
Tilki D et al. J Clin Oncol. v.39, n.20, p.2284–2295, 2021.
23
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24
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37
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38
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39
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42
Achard V et al. Semin Radiat Oncol. 35(3):439-449, 2025.
43
Tilki D et al. J Clin Oncol. v.41, n.0, p.1-10, 2023.
44
Nguyen PL et al. J Clin Oncol. v.41, n. Suppl.6, p.303, 2023.
45
Padayachee J et al. Expert Rev Anticancer Ther. 23(3):293-305, 2023.
46
Daskivich TJ et al. J Urol. 214(4):354-364, 2025.
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Pellegrino F et al. J Urol. 211(5S):e219, 2024.
48
Pollack A et al. Lancet. 399(10338):1886–1901, 2022.
49
Dematteis A et al. Curr Opin Urol. v.35, n.5, p.574–582, 2025.
50
Fossati N et al. J Urol. v.207 (Supplement 5):e820, 2022.
51
Mazzone E et al. Eur Urol. v.83, supplement S1, p.S1623–S1624, 2023.
52
Medici F et al. Radiother Oncol. 212:111113, 2025.
Resumo dos Inibidores da Via do Receptor Androgênico (ARPis) indicados por cenário clínico após prostatectomia radical. Baseado nas diretrizes EAU 2025 e NCCN v4.2026. A escolha do agente deve considerar comorbidades, interações medicamentosas e disponibilidade.
N1+RT
Doença localizada muito alto risco / N1 + Radioterapia
ref. 1
Abiraterona
Indicada em combinação com ADT e radioterapia em doença localizada de muito alto risco ou com comprometimento linfonodal. Inibidor da síntese de andrógenos (CYP17A1).
RB2
2ª Recorrência Bioquímica de alto risco (N0M0)
ref. 1
Enzalutamida
Antagonista do receptor androgênico de 2ª geração. Indicado na recorrência bioquímica de alto risco sem metástases detectáveis.
Apalutamida
Antagonista do receptor androgênico. Alternativa à enzalutamida no mesmo cenário. Considerar perfil de toxicidade e interações.
mCSPC ↓V
mCSPC — Baixo volume (terapia dupla)
ref. 1

mCSPC = Câncer de próstata metastático hormônio-sensível. Todos os agentes abaixo combinados com ADT.

Abiraterona
Inibidor de CYP17A1. Requer prednisona concomitante. Opção estabelecida no mCSPC de baixo volume.
Apalutamida
Antagonista AR. Aprovado no mCSPC independentemente do volume de doença.
Enzalutamida
Antagonista AR de ampla evidência. Aprovado no mCSPC em múltiplos ensaios clínicos.
Darolutamida
Antagonista AR com estrutura distinta. Menor penetração no SNC — perfil favorável em pacientes com comorbidades neurológicas.
mCSPC ↑V
mCSPC — Alto volume (terapia tripla com Docetaxel)
ref. 1

Tripla: ADT + Docetaxel + ARPi. Alto volume = ≥4 metástases ósseas com ≥1 fora da coluna/bacia, ou metástases viscerais.

Abiraterona
Preferida em combinação com docetaxel. Evidência robusta do ensaio PEACE-1. Combinação tripla padrão neste cenário.
Darolutamida
Preferida em combinação com docetaxel. Evidência do ensaio ARASENS. Perfil de segurança favorável na tripla.
Apalutamida
Alternativa. Evidência menos robusta para a combinação tripla com docetaxel neste cenário específico.
Enzalutamida
Alternativa. Dados da combinação tripla com docetaxel em evolução. Considerar individualmente.
mCSPC ↑V
mCSPC — Alto volume (terapia dupla sem Docetaxel)
ref. 1

Dupla: ADT + ARPi. Quando quimioterapia não é possível ou desejada.

Abiraterona
Preferida. Evidência estabelecida nos ensaios LATITUDE e STAMPEDE.
Apalutamida
Preferida. Evidência do ensaio TITAN.
Enzalutamida
Preferida. Evidência do ensaio ARCHES e ENZAMET.
Darolutamida
Alternativa na dupla sem quimioterapia. Dados de mCSPC alto volume em expansão.
nmCRPC
nmCRPC — PSAdt ≤10 meses
ref. 1

nmCRPC = Câncer de próstata resistente à castração não metastático. PSAdt ≤10 meses define alto risco de progressão.

Apalutamida
Aprovada no nmCRPC. Ensaio SPARTAN: melhora significativa na metástase-free survival.
Darolutamida
Aprovada no nmCRPC. Ensaio ARAMIS: perfil de segurança favorável, menor risco de eventos no SNC.
Enzalutamida
Aprovada no nmCRPC. Ensaio PROSPER: melhora na metástase-free survival.
mCRPC
mCRPC — Pré-ARPi (1ª linha)
ref. 1

mCRPC = Câncer de próstata metastático resistente à castração. Primeira linha sem uso prévio de ARPi.

Abiraterona
Padrão no mCRPC pré-ARPi. Ensaios COU-AA-302 e COU-AA-301. Requer prednisona.
Enzalutamida
Padrão no mCRPC pré-ARPi. Ensaios PREVAIL e AFFIRM. Ampla evidência de benefício em sobrevida.
iPARP
mCRPC + mutação BRCA/HRRm — Combinação com iPARP
ref. 1

Indicado em pacientes com mutações em genes de reparo por recombinação homóloga (HRR), especialmente BRCA1/2. Germline e somatic testing obrigatórios.

Abiraterona + Niraparib
Combinação aprovada para mCRPC com mutações HRRm. Ensaio MAGNITUDE.
Abiraterona + Olaparibe
Combinação com evidência no mCRPC HRRm/BRCAm. Ensaio PROpel.
Enzalutamida + Talazoparibe
Combinação aprovada para mCRPC HRRm. Ensaio TALAPRO-2. Atenção à mielotoxicidade.
Ra-223
mCRPC com metástases ósseas — Combinação com Rádio-223
ref. 1

Rádio-223 (dicloreto de rádio-223) indicado no mCRPC com metástases ósseas sintomáticas sem metástases viscerais. A combinação com ARPi requer atenção às contraindicações.

Enzalutamida + Ra-223
A combinação de abiraterona + Ra-223 foi associada a aumento de fraturas no ensaio ERA-223 — combinação contraindicada. Enzalutamida é a opção preferida neste cenário.
⚠ Atenção A combinação Abiraterona + Rádio-223 está contraindicada pelo risco aumentado de fraturas e mortalidade (ensaio ERA-223). Apenas enzalutamida é recomendada em combinação com Ra-223.
Nota sobre sequenciamento O uso prévio de ARPi em estágios mais precoces (mCSPC, nmCRPC) pode reduzir a eficácia de ARPis subsequentes no mCRPC por mecanismos de resistência cruzada. A decisão de sequenciamento deve ser discutida em Tumor Board considerando o histórico terapêutico completo do paciente.